26 set 2015 CinemaCrítica

Filme: Que horas ela volta?

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Nota: 4.5 Stars (4,5 / 5)
Título Original: Que horas ela volta?
Direção: Anna Muylaert
Estrelando: Regina Casé, Camila Márdila, Michel Joelsas
Gênero: Drama
Classificação: M/12
Outros dados: BR, 2015, Cores, 1h51min.
Sinopse: A pernambucana Val (Regina Casé) se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica. Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino (Michel Joelsas) vai prestar vestibular, Jéssica (Camila Márdila) lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica.

Quando surgiu o burburinho ao redor do filme comecei a tentar ver o filme de todas as formas. Infelizmente filme nacional não é muito lembrado, os cinemas passam, mas logo em seguida já tiram. Ontem fui ao cinema com meu namorado em um dos poucos lugares que ainda passam o filme, o Itaú Cinema do shopping Bourbon, aqui de São Paulo. Quando fui, já tinha expectativas altas, pois está sendo um filme aclamado pela crítica e gerando diversas conversas em rodinhas.

Eu cresci sempre com empregadas ao meu redor, muitas vezes sendo até um pouco criadas por elas, pois meus pais trabalhavam o dia inteiro e só tinha elas para me educar diariamente. Sempre tratei com muito amor e muita consideração de família, por isso me identifico com Fabinho, que foi criado por ela e tem um amor muito grande entre os dois, um amor de mãe e filho. A grande questão do filme é mostrar como ainda existem escravos na nossa sociedade e nós não conseguimos enxergar, pois afinal eles são pagos para isso. O filme mostra a mais pura verdade, o protocolo que ninguém fala, mas todo mundo sabe que existe, mesmo nem todos concordando.

Quem nunca teve uma empregada doméstica ou foi parente de uma, talvez não entenda ou ache um pouco de exagero certas situações do filme, mas a verdade é que alguns trabalhadores são considerados da nossa família, desde que eles não fiquem perto de nós e utilize aquilo que é nosso. Super recomendo assistir ao vídeo da Jout Jout (amooo) falando sobre o tema. Jéssica é a personagem que meio que quebra essa parede, esse protocolo que ninguém fez mas todos obedecem. E obviamente ela questionando tudo e todos gera diversos conflitos não somente no filme, como fora dele. Algumas pessoas acham ela “abusada”, outras acham que ela está agindo de forma certa. Eu acho que ela precisou ser um pouco exagerada dessa forma no filme para mostrar no exagero aquilo que não conseguimos enxergar de forma normal.

escrito com amor e carinho por

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2 Comentários

  • Beatriz Cavalcante
    28 set 2015

    Eu quero muito ver esse filme. Eu já tinha visto algumas críticas antes mas depois do vídeo da joutjout eu quis ver mais ainda. Eu acho que empregadas no Brasil são sempre vistas como pessoas inferiores e acho que vai ser bacana ver Jéssica quebrando um pouco essa barreira. 😀

    Beijos!

    • mahchiconi
      07 out 2015

      Infelizmente muita coisa no Brasil ainda precisa mudar. Eu tenho certeza que você vai gostar do filme, ele é de uma delicadeza e fofura quanto ao assunto que não tem preço.